Qual é o ponto de corte do Mini Mental?

Resposta curta

Não existe um único ponto de corte brasileiro do Mini Mental que seja correto em qualquer pessoa e contexto. Estudos diferentes responderam perguntas diferentes: Brucki et al. (2003) descreveu medianas de indivíduos saudáveis por escolaridade; Bertolucci et al. (1994) propôs valores de corte por grupos educacionais; Lourenço e Veras (2006) mediu sensibilidade e especificidade em idosos ambulatoriais. Esses números não são intercambiáveis.

Por que os pontos de corte brasileiros variam?

EstudoPopulaçãonTipo de dadoLeitura correta
Brucki 2003Indivíduos saudáveis sem queixa de memória433Medianas por escolaridadeReferência descritiva; não é corte diagnóstico
Bertolucci 1994Adultos brasileiros; comparação com comprometimento cognitivo530 + 94Cortes por escolaridadeValores derivados do método e população do estudo
Lourenço & Veras 2006Idosos ambulatoriais >65 anos303Acurácia diagnósticaSensibilidade/especificidade no contexto ambulatorial estudado

Mediana é ponto de corte do Mini Mental?

A mediana divide a distribuição de um grupo ao meio. Portanto, estar abaixo da mediana de uma amostra saudável não significa automaticamente estar doente. Um ponto de corte de rastreio é escolhido por outro procedimento: compara grupos e mede o compromisso entre detectar casos e evitar falsos positivos.

Essa distinção explica por que os números de Brucki aparecem com frequência em tabelas brasileiras, mas não devem receber automaticamente o mesmo significado dos cortes estudados por Bertolucci ou Lourenço e Veras.

Quanto pontuam pessoas saudáveis? Brucki et al. (2003)

O estudo avaliou 433 indivíduos saudáveis, com escolaridade de 0 a 20 anos. A escolaridade foi o principal fator associado ao desempenho. As medianas observadas foram:

EscolaridadeMediana observada
Sem escolaridade formal20
1 a 4 anos25
5 a 8 anos26,5
9 a 11 anos28
12 anos ou mais29

Importante: apenas 185 participantes compuseram a análise dos subitens. Esse número não é o tamanho da amostra principal.

Quais cortes por escolaridade propôs Bertolucci et al. (1994)?

Aqui a pergunta foi diferente. O estudo tomou como referência o percentil 5 da porção inferior da distribuição por escolaridade e comparou os valores com 94 pacientes com comprometimento cognitivo.

Sem escolaridade: corte 13; sensibilidade 82,4%; especificidade 97,5%.

Baixa e média escolaridade: corte 18; sensibilidade 75,6%; especificidade 96,6%.

Alta escolaridade: corte 26; sensibilidade 80%; especificidade 95,6%.

Qual corte Lourenço e Veras (2006) propõem para rastreio?

Foram avaliadas 303 pessoas com mais de 65 anos em contexto ambulatorial. O desempenho dos cortes foi medido explicitamente.

Sem escolaridade formal

Divisão 18/19: sensibilidade 73,5% e especificidade 73,9%.

Com instrução escolar

Divisão 24/25: sensibilidade 75% e especificidade 69,7%.

Qual referência usar?

Para descrever desempenho esperado por escolaridade: Brucki 2003 é uma referência brasileira útil, desde que seus números sejam chamados de medianas.

Para trabalhar com um limiar que teve sensibilidade e especificidade medidas: use um estudo de acurácia cuja população se pareça com a pessoa avaliada. Lourenço & Veras é particularmente contextual para idosos ambulatoriais acima de 65 anos.

Para qualquer contexto: o resultado do MEEM continua sendo rastreio. Escolaridade, funcionalidade, história clínica, condições da aplicação e a pergunta clínica determinam o significado do número.

O que um ponto de corte não responde?

  • Qual é a causa de uma pontuação baixa.
  • Se existe doença de Alzheimer ou outra demência.
  • Se uma pessoa com escore alto não apresenta declínio.
  • Se diferenças de escolaridade, visão, audição, linguagem, delirium ou condições clínicas explicam o desempenho.

Depois do escore, o caso continua. Se quiser levar uma dúvida de conduta adiante, você pode conversar sobre ela no Douto (abre em nova aba) ↗.

Referências desta página

  • 1.Brucki SMD, Nitrini R, Caramelli P, Bertolucci PHF, Okamoto IH. Sugestões para o uso do Mini-Exame do Estado Mental no Brasil. Arq Neuropsiquiatr. 2003;61(3B):777-781. DOI: 10.1590/S0004-282X2003000500014.
  • 2.Bertolucci PHF, Brucki SMD, Campacci SR, Juliano Y. O Mini-Exame do Estado Mental em uma população geral: impacto da escolaridade. Arq Neuropsiquiatr. 1994;52(1):1-7. DOI: 10.1590/S0004-282X1994000100001.
  • 3.Lourenço RA, Veras RP. Mini-Exame do Estado Mental: características psicométricas em idosos ambulatoriais. Rev Saúde Pública. 2006;40(4):712-719. DOI: 10.1590/S0034-89102006000500023.
  • 4.Folstein MF, Folstein SE, McHugh PR. "Mini-mental state": a practical method for grading the cognitive state of patients for the clinician. J Psychiatr Res. 1975;12(3):189-198. DOI: 10.1016/0022-3956(75)90026-6.

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Autoria e revisão

Autor e revisor técnico:
Dr. Carlos Felipe
Registro:
CRM-MG 105.721
Contato editorial:
Suporte e contato
Conflitos de interesse:
nenhum declarado
Publicado em:
14/08/2026
Última revisão:
21/08/2026
Próxima revisão prevista:
21/02/2027

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